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Se estiver a planear a compra de um negócio já existente ou esteja na expectativa de vender, uma das maiores dificuldades que terá pela frente será a decisão do preço de venda. Como comprador, se pagar demasiado, coloca em risco o futuro da própria empresa, colocando demasiada pressão sobre os cash flows iniciais da empresa.
Como vendedor, colocar o preço num nível baixo, deprecia todo o trabalho e investimento que fez para criar um negócio de sucesso. Além disso, um preço demasiado baixo para a sua empresa envia o sinal errado para os potenciais compradores, que ficarão de sobre aviso, sentindo que algo está errado. Este não é o caminho ideal para conseguir compradores qualificados. Não deixe ao acaso Acredite ou não, um dos meios mais comuns para decidir um negócio é através do acaso, da adivinha. “Bem, paguei X euros há 10 anos atrás e tive Y euros de lucro por ano, portanto vou estimar um crescimento anual de 10% em valor e venderei a empresa por Z euros”. Deste modo será extraordinariamente difícil convencer um comprador atento e informado que o preço justo é realmente o que você mencionou. Um dos maiores perigos para um vendedor que avalie baseado em pressupostos errados é o conceito de “shelf life”. Quanto mais tempo o seu negócio continuar sem ser vendido, mais provável é que venda a empresa por um montante inferior ao seu real valor. Suponhamos que coloca a sua empresa à venda por 1 milhão de euros, e este valor pode ou não ser o valor real da empresa. Porém, como não tem dados para suportar esse valor, a empresa fica no mercado durante meses. À medida que vai ficando mais ansioso para vender, vai começar a baixar o preço até surgir um comprador. Este não é o modo mais proveitoso nem sentado para deixar a empresa. Facturação contra Lucro Um modo bastante popular de colocar um preço num negócio já existente é olhar para o valor da facturação anual. Muitos dos chamados “experts” proclamam que este é o modo mais preciso para decidir se o preço é justo. Cada indústria tem supostamente o seu próprio múltiplo. Por exemplo, uma empresa industrial deveria ser vendida por “3 vezes a facturação anual”, ao passo que uma empresa de intermediação imobiliária deveria ser avaliada em 1,5 vezes a facturação, e por aí em diante. Esta métrica tão usual, em particular nos Estados Unidos, tende a ignorar o facto que a facturação não é sinónimo de lucro. Aliás, basta ver na actual conjuntura a quantidade de empresas com facturações na casa das dezenas de milhões que acabaram falidas, porque tinham gastos superiores às receitas. Se usar este método, considere sempre múltiplos dos lucros, não do valor de facturação. Projecções de Cash Flow Aplicar modelos contabilísticos standards pode ser uma ferramenta muito útil na assessoria à avaliação de uma empresa. Tudo começa com os cash-flows (receitas menos as despesas) anuais, e com uma projecção de cash-flows futuros, em função de um crescimento esperado. Vamos assumir como exemplo que uma empresa teve um cash flow de 50.000 EUR no ano passado e 52.000 EUR este ano, tornando realista prever um crescimento de cerca de 2 mil euros por ano. Num período de 5 anos, o negócio geraria um total de 270 mil EUR, correspondente a 50 mil no primeiro ano, 52 no segundo, até atingir 58 mil euros de lucros no ano 5. A partir daí, tem que se considerar as taxas de juro das obrigações de tesouro. Se os depósitos a prazo estão a pagar por exemplo uma taxa de 2% anual, significaria que teria que fazer um investimento de 2,7 milhões de euros para ganhar os mesmos 270 mil EUR em anos, considerando a taxa de 2%. Não espere que alguém pague esse valor, na medida em que conseguem o mesmo retorno sem qualquer tipo de risco e com menos trabalho/esforço. Nestas circunstâncias, um valor de 2,7 milhões de euros ou mais é demasiado. Se parecer demasiado complicado, peça ajuda ao seu contabilista. Peça a opinião de um expert Business Brokers, bancários e contabilistas são excelentes fontes de opinião quando está a tentar alcançar um preço para o seu negócio. Esteja na situação de comprador ou de vendedor, os financiadores envolvidos no processo, bem como os profissionais que trabalham diariamente na compra e venda de empresas, têm a sensibilidade adequada para avaliar uma empresa. Não hesite em envolvê-los neste processo. |